A Viajante
Mas é claro que eu não ia deixar de falar dela. Minha primeira publicação. Talvez não venha a ser minha obra mais vendida ou mais lida, mas para sempre vai ser a minha primeira.
A história nasceu de um processo. Não me veio à cabeça de imediato; eu procurava por uma ideia que não tomasse tanto tempo de escrita, pois estava ansioso por publicá-la; achava que precisava publicar algo rápido, para ser visto. Quando comecei a escrevê-la, tinha uma ideia na cabeça.
A primeira influência para ela veio de um capítulo específico de O Fim da Morte, de Cixin Liu, terceiro livro da trilogia O Problema dos Três Corpos. O capítulo tem cinco páginas, e para mim é um dos mais filosóficos de toda a trilogia. Nele, há o Cantor, personagem alienígena que lança uma arma de destruição contra o sistema solar. Tanto me inspirou que, na versão original de A Viajante, a Navegadora fazia o mesmo depois de encontrar a Voyager-1, mas na época em que escrevia a primeira versão eu lia Contato, de Carl Sagan. Ao mesmo tempo, eu estudava e fazia pesquisas sobre a Voyager-1, e Carl deve ter entrado na minha cabeça com o seu "otimismo realista", porque mudei de ideia sobre destruir o sistema solar. Em parte porque não queria repetir a história de Cixin Liu, mas principalmente pela vontade que nasceu em mim de dar ainda mais alcance às vozes que o próprio Sagan enviou na Voyager.
Enquanto estudava o conteúdo, a forma, as missões da Voyager-1, ficava cada vez maior a minha vontade de incluir as vozes de todas aquelas pessoas; mesmo entendendo que para alguns leitores essa parte poderia ficar um pouco cansativa, tal foi meu anseio que isso se tornou quase uma necessidade. Eu não podia deixá-las de fora. Admito a emoção no momento da escrita. Enquanto rascunhava, ouvi repetidas vezes as músicas enviadas no disco da Voyager – inclusive, para quem gosta de música e da história da música, fica aí a recomendação; tem música do mundo inteiro (apesar de ainda vermos mais obras estadunidenses do que de qualquer outro país).
Outra vontade que me deu enquanto escrevia o conto foi a de preenchê-lo com as imagens da Voyager, tanto as que ela fez enquanto sobrevoava o sistema solar quanto aquelas escolhidas para representar a humanidade. O trabalho feito pela equipe responsável é notável, mas acho que imagens em livros são só para as edições especiais. Quando A Viajante fizer 10 anos de lançamento, talvez faça uma edição de luxo (quem sabe até lá não consigo um contrato com uma editora?). Mas, para os curiosos, as imagens ficam sempre disponíveis no site da NASA. Também foi onde fiz a maior parte da pesquisa para o conto, que não passou de uma busca singela por detalhes técnicos, cuja maior parte acabou ficando de fora da versão final por motivos de 1) ficaria chato e 2) aumentaria ainda mais o número de páginas, o que eu não queria.
E falando em versões finais, A Viajante teve dois rascunhos. O primeiro foi à mão até certo ponto. A partir do momento que percebi que o conto ficaria maior do que pretendia inicialmente (só 8 pagininhas), passei para o computador – ou eu não renderia. A versão impressa ficou com 68 páginas, a do Kindle com 48.
Mas por que a Voyager?
A Voyager-1 é o objeto humano mais distante e o primeiro a deixar a "fronteira" do sistema solar. E esse é um fato bastante conhecido; a sonda virou notícia nos jornais em 2023 depois que a NASA perdeu contato com ela momentaneamente, e há um punhado de histórias que partem da mesma motivação encontrada em A Viajante – em outras palavras, a história encontrada no meu conto não é sequer original; há uma dúzia de livros em que alienígenas encontram a Voyager no meio interestelar, mas em A Viajante eu não queria apenas contar uma história original. Eu queria fazer uma homenagem. Não à sonda, mas aos engenheiros e cientistas que a fizeram acontecer. Para mim, a Voyager é um dos feitos mais simbólicos, mais emblemáticos e significativos de toda a História.
Para mim, ela é uma metáfora. Minha primeira publicação até que poderia ter outro nome, mas se afastaria da visão de viagem que tenho dessa carreira de escritor que estou tentando construir.
Espero que gostem de ler este conto tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Deixe nos comentários o que achou.
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